Por que olhar para além dos EUA em busca das melhores startups

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Sempre fico impressionado com o progresso incrível que os latino-americanos têm feito no mundo das startups. Claro que todos os holofotes voltam-se para o Vale do Silício, na Califórnia, mas em todo o mundo há outros centros de empreendedorismo que merecem um olhar mais atento.

Everypost é uma startup com sede nos Estados, cuja equipe é integrada também por latino-americanos. Moramos nos Estados Unidos, mas fizemos de Everypost uma startup internacional. O aplicativo tem tradução para seis idiomas: português, inglês, espanhol, alemão, francês e japonês.

Sendo argentino,  fico impressionado com o destaque da América Latina na cena startup pelo mundo. O Vale do Silício normalmente ganha toda a atenção quando o assunto é startup, mas há outros centros que merecem atenção, não apenas nos EUA, como Miami, mas também na América Latina.

Para se ter ideia, especialistas dão conta de que o Brasil, nos próximos dez anos, ocupará o terceiro ou quarto lugar entre as principais economias do mundo. Além disso, a economia do Uruguai cresceu a uma taxa anual de 6% nos últimos seis ou sete anos. O país também não foi afetado pela recessão que assolou o mundo entre 2008 e 2009. O Peru, por sua vez,  tem a taxa de inflação mais baixa da América Latina e um crescimento do PIB de 6%. Mas não é apenas o crescimento econômico desses países na América Latina que impressiona, é também a dedicação dos governos para a cena startup.

Start-Up Chile é, provavelmente, um dos programas mais famosos da América Latina. Criado pelo governo chileno, o programa leva startups internacionais para Santiago, dando-lhes US$ 40.000, sem contrapartida em participação societária,  visto temporário de um ano, para acelerar os projetos em seis meses. O governo brasileiro lançou Startup Brasil, em parceria com aceleradoras privadas, que  investe em startups nacionais e estrangeiras de alta tecnologia. As startups aprovadas “recebem até R$ 200 mil em bolsas e participam de atividades de aproximação com investidores e clientes, eventos de capacitação e networking e acesso ao Hub internacional no Vale do Silício (EUA)”, como diz o site oficial do programa, com inscrições temporariamente suspensas devido ao ano eleitoral.

Tanto a Colômbia e Argentina têm sido aclamados como lugares de inicialização para ser tão programas aceleradores de continuar a brotar em Bogotá e Buenos Aires. Programas aceleradores como NXTP Labs (onde Everypost começou) já estão na sua sexta edição de startups de tecnologia. O processo de aplicação torna-se mais competitivo a cada rodada.  Mas, por que investidores em capital de risco e startups são obcecados com capital de risco?

É interessante assistir ao lento fenômeno de migração do capital de investimento em startup dos EUA para startups internacionais. Aceleradores como 500 Startups começam a aceitar mais e mais equipes internacionais.  Na minha opinião,  a percepção –  por parte dos empreendedores digitais – de que todos os aplicativos devem funcionar internacionalmente levam investidores olhar para startups que não são apenas voltadas ao público falante de inglês. Isso os leva para a América Latina, aliás, geograficamente muito perto.

Espero que esta tendência acelere, cada vez mais, o investimento em startups internacionais. Embora possa haver um pouco mais de  burocracia para investir no exterior, o cenário é privilegiado para startups estrangeiras. Entre a assistência governamental e economia em expansão, o meu palpite é que o próximo Facebook surgirá na América Latina.